Interoperabilidade A.C.

Não, o título não se refere à corrente alternada, mas a Antes de Cristo. Quando falamos de interoperabilidade lembramos que, mesmo com o mais recente uso e divulgação do termo, ele se refere à algo muito antigo. Desde o início da computação comercial existiu a necessidade de máquinas de diferentes fabricantes conversarem entre si. Um dos exemplos que mais gosto de citar sobre o assunto são os “kits de interoperabilidade elétrica” que as pessoas que viajam muito eram obrigadas a comprar para poderem ligar seus notebooks e outros aparelhos nos diversos países que visitavam. Hoje, a tal interoperabilidade de conexão elétrica já é garantida, na maior parte das vezes, pelas fontes de alimentação dos notebooks, que aceitam múltiplos tipos de tensão e freqüência de corrente. De qualquer forma, definidos os devidos padrões, a interoperabilidade é cada vez mais fácil e viável. Mas a equipe de nosso Innovation Center na Unicamp foi mais além: começou a levantar as questões de interoperabilidade na época da torre de Babel em um artigo bem humorado que reproduzo integralmente abaixo. Boa leitura!

Babilônia – 2500 A.C.
Todos falam a mesma língua. Maravilha! “Vamos construir uma torre alta o suficiente para chegar aos céus”. Sim, alguém teve essa idéia brilhante…
Lógico que Deus não gostou: “Espertões! Assim perde toda graça de ir pro céu. Para entrar aqui tem de fazer um monte de coisas que não tem nada a ver com esse artigo! Vai cada um pra um canto e todo mundo vai falar uma língua diferente!”.
Desde então, é só atravessar um rio um pouco mais largo que já não entendemos mais nada do que estão falando.

Um tal de Alan Turing veio e disse: “Faça-se o computador”. Foi um pouco mais difícil que no caso de Deus. O Turing, coitado, não terminou em 7 dias com direito a descanso. Ele, como todo computeiro depois dele, teve de passar várias noites em claro até que desse certo.
Depois dele veio um monte de gente, mas o problema já tinha sido criado há mais de 4500 anos: ninguém se entende, muito menos os computadores.
Criaram-se vários idiomas para eles e, em geral, muito pouco do que um entende, o outro entende do mesmo jeito – quando entende alguma coisa.
Independente de você estar interagindo com sistemas de um parceiro, acessando dados de um mainframe, conectando-se a aplicativos escritos em diferentes linguagens de programação ou tentando fazer o logon em sistemas múltiplos, a integração entre tecnologias heterogêneas, simultânea à redução dos custos, é atualmente uma dor de cabeça constante pra quem trabalha com TI.
Depois de bater um pouco a cabeça (que já doía), descobriu-se que não havia uma maneira mágica de resolver esse problema. As camadas de middleware não funcionam bem; compatibilidade, a nível de código, é inviável e é até difícil achar um adjetivo para o quão difícil seria tornar os sistemas intercambiáveis. A solução, como uma aspirina, foi óbvia. Deram para ela o nome feio de interoperabilidade.
Ela segue a idéia básica do porquê da internet funcionar em várias plataformas: protocolos. Com o conhecimento comum de protocolos básicos, os diferentes softwares podem interagir consistentemente, com pouco ou nenhum conhecimento dos demais.
Esse compromisso com comunicação entre programas vem sendo exigido de empresas que produzem software e a “interoperabilidade por design” vem se tornando essencial para lidar com a heterogeneidade do mercado.


Afinal, descobrimos que construir pontes é mais seguro do que fazer torres!

Autores: Raul Kist, Henrique Baggio, Bruno Melo, Daniele dos Santos e Ivo Trivella – construtores de pontes.
Plantas disponíveis em
http://www.codeplex.com/LMSU


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